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Museu da Família Teixeira

Museu da Família Teixeira

O Museu da Família Teixeira é a forma encontrada pelo empresário Anaclet Teixeira de Freitas para perpetuar uma justa homenagem aos seus pais Albino e Conceição, nados e criados na Fajã da Murta, Faial no concelho de Santana, Ilha da Madeira.

Está aberto ao público de terça-feira a domingo das 9:00 às 19:00 e a entrada é grátis.

Anaclet Teixeira de Freitas é empresário de reconhecidos méritos em vários países da América Latina, em especial na Venezuela. Tão especial que até o nome próprio foi adaptado para ‘Anaclet’. Por força da abrangência dos seus investimentos, várias cidades do mundo poderiam acolher o seu espólio particular de recordações e tradições.

No entanto, o homem que na Venezuela dá a cara pela cadeia alimentar ‘Rey David’ escolheu a Fajã da Murta, nos confins do Faial, para erguer aquele que é um museu familiar, particular, mas que o seu mentor quer partilhar com madeirenses e visitantes.

Foram 13 anos a projectar aquela mini-aldeia que, vista de cima num dos miradouros da Estrada Regional 103, mais parece um acolhedor presépio rodeado pela ribeira que nasce no Pico do Areeiro e desagua no mar do Faial. É um jardim robusto, bonito, enfeitado por 20 palmeiras trazidas do Egipto, ao longo de uma vereda estreita que por ali serpenteia, e onde pontifica a Capela de Nossa Senhora de Fátima com a sua imponente torre e até um coreto. Da torre sobressaem o sino e o relógio gigantes que vão marcando o ritmo daquele pacato lugarejo, interrompendo à hora certa o som relaxante da água a escorrer pela ribeira.

Chegados lá abaixo, somos autenticamente sufocados pelos inúmeros detalhes de algo que – sente-se – foi edificado e ordenado com paixão. À esquerda de quem entra, no exterior do conjunto de várias casas e anexos que se interligam de forma harmoniosa, Anaclet mandou colocar uma dupla estátua em bronze “em memória dos nossos amados pais”, Albino de Freitas (1917-2000) e Conceição Caires (1923-1993), ambos sepultados em Caracas. A placa tem a assinatura dos cinco filhos.

Mais abaixo, no terreiro exterior da casa principal, há uma parede com muita história. Ali está gravada a letras douradas o resultado de uma longa e aturada investigação que permitiu a reconsti-tuição da árvore genealógica desde 1653. Um árduo trabalho que Anaclet atribuiu a doisadvogados, para assegurar o maior rigor possível, e que só ficou concluído após 6 anos de intensa pesquisa.

Depois é deixar-se guiar pela sequência natural daquela história familiar, repleta de fotografias de outras épocas, expostas por entre uma série de utensílios e objectos que marcam outras épocas e ilustram uma vida que nem sempre foi fácil. Ao longo de todo o trajecto, no interior ou no exterior, é possível visionar extractos de vídeos com memórias familiares, ou simplesmente deixar-se ficar a ouvir registos áudio do ancião da família.

Cada compartimento da casa relata mil e uma histórias. Memórias simples em que muitas famílias se revêem, sempre interligadas com o bom e o menos bom da emigração. São 13 mil fotografias devidamente emolduradas e legenda-das para que a memória não se esqueça de cada um daqueles protagonistas.

Para além das fotos, os próprios espaços falam por si. Ali foi recriada uma velha mercearia, precisamente aquela em que o velho Albino se prontificava a dar aulas, por sua iniciativa, aos primos, sobrinhos e amigos da família. Lá em baixo, quase no fim do trajecto e depois de um espaço dedicado a documentos, passaportes, cartas manuscritas e livros, quando se julga que não há mais nada para ver, abrem-se duas portas e um amplo espaço escancara-se: é a adega, que vai passar também a funcionar como uma galeria, aberta e receptiva a registos fotográficos de outras famílias da população local, da freguesia e do concelho. Anaclet Teixeira apela até que as fotos cheguem de outras freguesias e concelhos. Quer retratos de famílias da Madeira. “Aqui ficam melhor conservadas”, garante o mentor do Museu da Família Teixeira.

ANACLET TEIXEIRA NASCEU EM 1954.

Nesse mesmo ano, o pai Albino emigrava para Venezuela. “Foi à frente”, conta o filho, no dia em que mostrou o Museu da Família Teixeira à revista MAIS. O pai regressaria à Fajã da Murta cinco anos depois, já com a intenção de levar toda a família.

Esse êxodo não demorou muito. Anaclet tinha 7 anos e foi pela mão da sua mãe que embarcou para Caracas, protegido por um passaporte colectivo.

Em 1968 (tinha apenas 12 anos) regressaria à Fajã da Murta, onde permaneceria apenas dois anos. Aprendeu português e regressou à Venezuela em 1970. Foram momentos muito delicados, devido às dificuldades económicas e porque o pai não o queria envolvido nessa tormenta. O certoé que Anaclet revelava já uma grande determinação e não se assustou com o bairro populoso, e inseguro, em El Cementerio, onde tinham uma pequena mercearia. Com o avolumar das dificuldades económicas, a mercearia acabou vendida.

Hoje, Anaclet evoca uma história dessa altura sobre uma carta aflitiva do irmão Lomelino, lamentando-se do avolumar de dívidas e juros. Ferido o orgulho de uma família honrada, pediram dinheiro e pagaram tudo. “Agora já não é assim”, ironiza o nosso interlocutor. Foi nessa altura que Anaclet se mentalizou que iria trabalhar para pagar tudo. Já na Venezuela, deu consigo a comprometer-se com um regresso à Madeira para tirar os pais “daquele buraco” e acomodá-los “numa casinha com estrada à porta”.

Anaclet sabia que não queria uma mercearia, de más recordações para o pai e irmãos. “Não queria ser vendeiro”. Aos 17 anos entrou para a cadeia Maveza – na entrevista perguntaram-lhe a idade, disse que tinha 18… – onde fez sucesso no mundo das vendas, com especial êxito na comunidade judia. Dali só saiu aos 23 anos, em 1979, para fundar a primeira loja ‘Rey David’, em San Bernardino.

Especializou-se na gastronomia judaica-ortodoxa, já que em Caracas havia mais de 50 mil judeus, a maior parte deles nas destilarias, negócios do ouro ou construção, e que denotavam evidentes faltas ao nível dos seus costumes gastronómicos. “Eles iam a Israel e a Nova Iorque para trazerem o ‘kosher’ que não havia na Venezuela”, recorda o empresário, pormenorizando alguns dos hábitos a que se submete a religião judaica.

Anaclet decidiu, então, investir a fundo no conhecimento das práticas judaicas, como forma de contornar o facto de não ser judeu nem ter nenhuma preparação especial. Através de amigos rabinos, fez a sua auto-aprendizagem. Nesse particular, é com estima que recorda o professor Moisés Blegher, com quem partilhou idas às sinagogas e que lhe fez imensas recomendações. Um ‘investimento’ que lhe garantiu sucesso empresarial, espelhado naquilo que é hoje o estatuto das lojas ‘Rey David’ em Caracas.

Anos mais tarde, Anaclet lembrou-se da promessa que fizera ao pai: “Vou reconstruir a casinha”. A casinha era a da Fajã da Murta. A ideia foi aprofundada no ano 2000, quando alguns dos seus amigos se deslocaram ao Faial profundo. “Vieram ver onde nasci”, diz apenas. Tudo se precipitaria nos anos seguintes, começando com uma simples brincadeira. De uma garagem evoluiu para um local para dormir. Depois cresceu o jardim, a muralha. Seguiu-se a investigação genealógica para conhecer os antepassados. Tudo conjugado com a homenagem que Anaclet sempre quis prestar ao pai, assim nascia o Museu da Família Teixeira.

Belen Abreu, esposa de Anaclet, também deu o seu contributo, quando lhe assinalou a falta de uma capela em homenagem a Nossa Senhora de Fátima. “Inicialmente era para ser numa pequena gruta”, conta. “Aqui não houve arquitecto nenhum. Nós é que decidimos mudar a capela para outro lugar”.

Catorze anos depois da ideia começar a florescer, Anaclet Teixeira tenciona inaugurar o seu museu neste Verão. Não tem nenhuma intenção de comercializar entradas, nem de restringir o seu acesso apenas à sua família. “Isto já não é só da nossa família”, conclui, orgulhoso.

Fonte In: Diário de Notícias. Funchal, Revista Mais (7 de julho de 2014)

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Morada: Fajã da Murta, Faial, Santana
Contactos: (+351) 962 574 102 - Gorete Fernandes ou (+351) 962 460 354 - Armindo Vieira

Horários:
Terça-feira a Domingo das 9h às 19h

Entrada: Gratuita

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