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Tradições

A Ilha da Madeira contém imensa história e com esta vêm as tradições.

Damos-lhe então a conhecer algumas:
Bomboteiros e Bombotes

Bombotes eram pequenas embarcações com produtos e souvenirs da Madeira que ocupavam o mar quando os grandes barcos e navios escalavam no porto do Funchal, com o intuito de comercializar os tais produtos.

Estas embarcações estavam autorizadas através de uma licença legalizada pela Alfândega do Funchal a aproximar-se das grandes embarcações e as pessoas que se dedicavam a esta profissão eram designados por bomboteiros.

A origem da palavra vêm do inglês "bumboat" (pequena embarcação com produtos para venda).

Os produtos mais conhecidos em bombotes eram os famosos bordados regional Madeirense, rendas, flores móveis de vimes, frutas, vegetais, postais ilustrados, aves e diversos souvenirs.

Esta atividade entrou em declínio quando o porto do Funchal constroi o novo molhe. Os bomboteiros foram impedidos de entrar no molhe o que os privou de exercer a sua profissão.

Borracheiros

Na altura da apanha da uva, os cachos eram apanhados tradicionalmente e levados para o lagar mais próximo do local.

No lagar, os cachos de uvas eram pisados, resultando no mosto (sumo de uvas frescas que não tenham passado pelo processo de fermentação), que mais tarde era carregado aos ombros dos homens em odres de vinho ou borrachos (recipiente feito de pele de animal, geralmente cabra) até às adegas do Funchal, pois maior parte das vinhas estavam localizadas no campo ou Costa Norte da Ilha.

Os homens que carregavam os borrachos eram designados por borracheiros e agrupavam-se em fila num percurso até à cidade com um único objectivo da entrega do mosto. Os borracheiros eram muito conhecido pois numa época que não existia muita comunicação e transporte, esta era a única maneira de carregar o mosto da uvas colhidas no campo para a cidade.

Missas do Parto
De 16 a 24 de Dezembro, celebra-se uma das principais tradições de Natal: As Missas do Parto

Um pouco por toda a Região, estas nove Missas anunciam o Nascimento de Jesus e entoam-se cânticos católicos por coros locais.

No final das Missas, a animação faz-se sentir nos adros das igrejas onde a população se reúne e oferece “comes e bebes” aos fiéis e visitantes.
Estas missas são celebradas pela madrugada, por volta das seis da manhã.
Missa do Galo
A Missa do Galo é realizada à meia-noite de dia 24 para 25 de Dezembro e é celebrada depois do jantar da Véspera de Natal.

O nome "Missa do Galo" deriva da lenda de um galo que se acredita ter sido o primeiro animal a presenciar o nascimento do menino Jesus, o que fez com que este galo passasse a anunciar todos os natais o nascimento de Cristo através do seu cantar.
Traje Regional
O traje tradicional da Madeira é objeto de muitas especulações no que diz respeito à sua origem e evolução. Calcula-se que tenha sofrido várias influências nacionais e estrangeiras sobretudo minhotas, mouriscas, africanas e da Flandres.

Nos trajes femininos predomina a cor vermelha. As mulheres casadas e solteiras na Ponta do Sol usavam capas de cor vermelha, enquanto as viúvas usavam capas azuis.

O vestuário no Funchal, Machico e Santa Cruz era composto por uma saia de lã, de cor ou listada, um colete, um corpete vermelho e uma carapuça azul.

O traje masculino não foi alvo de muitas transformações. É composto por um calção branco com franzido sobre o joelho e uma camisa com pregas que poderia ser bordada ou não.

As botas chamadas botachas ou bota-chã, que são feitas de pele de vaca curtida eram usadas por ambos. O cano da bota era virado para fora e descia até ao tornozelo e era adornado por uma fita vermelha.
Colar de Rebuçados

Os tradicionais colares de rebuçados são facilmente encontrados em qualquer arraial Madeirense

Antigamente quando o dinheiro não era muito, o colar de rebuçados era a alegria dos mais novo e hoje em dia ainda se verifica isto.

Embora os tempos tenham mudado, a variedade das guloseimas aumentado e o número de vendedores ampliado ainda se vê muitas crianças com os colares de rebuçados.

Bonecas de Massa
A boneca de massa é tradicionalmente encontrada nos arraiais, embora estivesse quase a desaparecer pois a atividade de produção deixou de ser continuada pelas novas gerações.

É feita à base de farinha, água, fermento, corante de ovo ou de tangerina e um pouco de sal. Os ingredientes são todos misturados e a massa resultante é trabalhada manualmente para dar vida à boneca tradicional. São usadas sementes para os "olhos" e fitas coloridas para fazer os cabelos e roupa. Após este processo de transformação vai ao forno durante 20 minutos e está pronta a ser vendida.
Arraiais

Todos os visitantes da Madeira já sabem que algo típico são os arraiais! A maioria destas festas têm origem religiosa, no entanto existem outras que não o são. No Arquipélago da Madeira, celebram-se em todas as paróquias festas religiosas ou romarias a maior parte das quais organizadas pelo "festeiro". Em um arraial como é obvio não pode faltar a animação que fica a cargo das bandas filarmónicas. Hoje em dia já é comum ver outro tipo de artistas e não apenas bandas filarmónicas
As ruas circundantes à Igreja ou mesmo o sítio são enfeitadas com bandeiras coloridas que se colocam em mastros de madeira ornamentados na base com louro ou buxo, não havendo assim forma de falhar a festa

As barracas normalmente feitas com madeira e ornamentadas com louro e outra vegetação são um ponto obrigatório de passagem para a maioria das pessoas. Nestes pequenos espaços de venda podemos encontrar um pouco de tudo desde guloseimas, brinquedos, bebidas, variedades gastronómicas, entre outros.
As barracas de comes e bebes são das mais procuradas nos arraiais da Madeira. Não pode faltar a espetada, o bolo do caco com manteiga de alho, o vinho da região ou a tradicional “laranjada”. A carne de vaca cortada em cubos é colocada em espetos de louro e assada diretamente nos braseiros instalados nas proximidades das barracas.

Festa do Senhor do Bom Jesus
A Festa do Santíssimo Sacramento também conhecida pelo arraial do "Bom Jesus" acontece sempre no primeiro domingo de Setembro, na freguesia da Ponta Delgada, em São Vicente.

Hoje em dia as romagens já não se fazem da mesma forma, os romeiros levam a viatura própria ou então seguem até à Ponta Delgada nos transportes públicos.

Este é ainda nos dias de hoje um dos maiores arraiais da ilha da Madeira.
Os Santos Populares
O mês de Junho é sinónimo de Festa em nome aos três Santos Populares.

Os Festejos em honra de Santo António estão centrados na freguesia que contem o nome do santo que fica no Concelho do Funchal. A noite de dia 12 para 13 de junho é marcada pelo desfile das marchas populares.
No dia 24 de junho realiza-se a Festa de São João. Antigamente a Capela de São João da Ribeira, no Funchal, alojava um dos arraiais mais concorridos de toda a região. Hoje em dia a animação fica na Praça do Carmo, também no Funchal, com os conhecidos "Altares de São João".

As Festas de São Pedro, o Santo protetor dos pescadores realizam-se de dia 28 para 29 de Junho na Ribeira Brava e são conhecidas pelos seus passeios de barco que algumas empresas de transporte marítimo realizam entre o Funchal e a Ribeira Brava.
Arraial do Monte

Entre os dias 5 e 15 de Agosto inicia-se uma das grandes tradições da Ilha da Madeira, as Festas de Nossa Senhora do Monte

Este é sem dúvida o maior e mais concorrido arraial cristão da Madeira, a Romaria de Nossa Senhora do Monte data dos primórdios da colonização da ilha.

As festas iniciam-se com as Tradicionais Novenas, sequência de nove missas realizadas em honra de Nossa Senhora.

Após a realização das novenas, ocorre a grande festa dia 14 e 15 de Agosto sendo que dia 15 é feriado na região visto a Nossa Senhora do Monte ser considerada Padroeira da Madeira.

São em grande número os fiéis que vão na procissão para pagar as suas promessas, por vezes fazem-se acompanhar de grandes círios ou partes do corpo feitos em cera para assim agradecerem as graças recebidas. É habitual assistir a várias pessoas descalças ou de joelhos a realizarem a procissão.

Música
Os habitantes da Madeira são grandes apaixonados da música, as crónicas antigas dão conta de grandes romarias religiosas e festas pagãs em que os "muitos instrumentos de violas, guitarras, flautas, rabis e gaitas de fole" se juntavam a uma trovoaria de tambores e bombos, que resultaram na música tradicional madeirense, um género musical que se toca em casa, nas festas e nos arraiais que se carateriza por despiques e ritmos animados. Pode ser destacado ainda o charamba e a mourisca, cantados e claro o Bailinho, que tanto pode ser cantado como dançado.
Peixeiras da Madalena do Mar
Ainda a manhã vinha longe já as mulheres e as crianças na praia esperavam os maridos e os pais que voltariam da faina da pesca. À medida que as pequenas embarcações se aproximavam da costa, elas, irrequietas e nervosas se chegavam ao mar, ávidas do seu regresso, pois da safra da noite dependia o sustento da família.
A manobra de varar o barco, ou seja fazê-lo encalhar em terra seca exigia muito esforço e não havia mãos paradas. Felizmente contavam com a ajuda dos que se chegavam à praia para a aquisição de peixe e até os garotos colaboravam com entusiasmo.
Para vencer os calhaus, o barco era puxado a cordas (cabos) por homens, fazendo-o passar sobre toros de madeira, conhecidos por parais.
Quando os parais iam sendo ultrapassados e ficavam para trás, eram recolhidos e de novo colocados à frente do barco. Este teria de ficar em segurança, longe de alguma onda traiçoeira que o pusesse à deriva no mar.
Tomadas as devidas cautelas para a segurança do barco, os pescadores entregavam-se à tarefa da divisão do peixe. Efetuadas as vendas possíveis, as mulheres iam enfiando pequenas porções de cavalas e chicharros em fitas de palha seca de bananeira (cambulhadas) e estendendo-as cuidadosamente na canastra – cesto de vimes com asa. O fundo do cesto era guarnecido por folhas de bananeira para a proteção do peixe.
A Madalena do Mar teve uma boa tradição de pescadores, tanto na Banda d ́Além como no Canto do Passo, e de lá partiam as peixeiras, de canastro enfiado no braço, à procura dos compradores do seu peixe. Faziam-se aos carreiros difíceis e perigosos, pois os caminhos nem eram ainda promessa. Todas trepavam em marcha penosa o seu calvário à procura de pão para os filhos.
As peixeiras da Banda d ́Alem subiam os Moledos a caminho do Arco da Calheta, ou então os atalhos dos Lombos que as levavam aos Canhas. Mas as do Canto do Passo entravam em vereda estreita até aos Anjos, subiam até S. Tiago por carreiros alcantilados, passando ao Lombo de S. João, Adegas e terças; outras subiam as escarpas de Água d ́ Alto que as conduziam ao Livramento e ainda trepavam os caminhos da Lombada.
Faziam-se anunciar com o pregão de peixe, em voz cansada, enrouquecida. E, quando não havia dinheiro, faziam troca direta de produtos. As camponesas eram generosas e as trocas faziam-se a contendo das duas partes.
Expressões Populares
As expressões populares são uma parte muito importante da cultura madeirense e pode ser difícil de interpretar caso não esteja habituado.
Deixamos aqui algumas para que fique familiarizado:

  • “ Vou torcer as orelhas!” – arrepender-se.
  • “Não me atentes mais!” – não me chateies mais.
  • “Nunca mais fizeram arroz na missa” – desafinar.
  • “Está uma fadestinha!” – bonito, agradável à vista, que está bem.
  • “Reles como um cachorro!” - mau
  • “Deixa’ tar que ela não vai rebentar pelo umbigo” – deixa chorar, gritar, espernear.
  • “Não lhe cabe um feijão!” – estar contente.
  • “Olha lá, ele nã vá me partir o inhame da porta!” – Não tenho medo; as ameaças não me assustam.
  • “Deu-lhe uma reina!”, “Ele reinou”- zangou-se, chateou-se.
  • “Não me apilhas!” – Não me apanhas!
  • “Qu’ atentação!” – Que chatice!
  • “Vai cair algum burro da rocha em baixo!” ou “Vai azougar algum burro!” – reflete espanto, admiração. “Ela fez aquilo à rebendita!” – Com maldade.
  • “Para quem é bacalhau basta!”- é suficiente.
  • “Vamos ver dar meia-noite.” – ver o fogo de fim do ano.
  • “Ainda vais ter que comer muito milhinho!” – ainda tens muito que aprender.
  • “Não vendo ouro ao bandido” – não dar parte fraca, mostrar-se desinteressado.
  • “Andar pr’a casar” – namorar, noivar.
  • “Estamos trompicados!” – enganados.
  • “Ir de balde e vir de selha” – não trazer nada, vir de mãos a abanar.
  • “Estou entresilhada com frio!” – estar enregelada.
  • “Ena c’a carroçaria!” – coisa bonita
  • “ficar rapando” – ficar envergonhado.
  • “Estás biqueira?” – pessoa que por natureza come pouco.
  • “Nunca me viste? Burro me saíste!” – olhar demorado.
  • “É uma pequena, parece que ainda nem sequer está bem temperada!” – que ainda não é mulher.
  • “Ela nem sequer tem um pé de flor à porta” – pessoas mal- arranjadas.
  • “Tenho a casa numa enxovia!” – confusão.
  • “Estou me lascando de contente!” – muito feliz.
  • “Parece uma dor de resmate, passa de um lado para o outro.”
  • “Dói-me as cadeiras” – dor pela altura dos rins.
  • “Tenho uma dor nas arcas” – dor acima dos rins.
  • “Vamos de horário!” – autocarro.
  • “O tempo está embezerrado.” – tempo escuro, parado
  • “Está a cair bezegaia.” – chuva muito fininha.
  • “Não me jogo muito por arroz.” – não morrer de amores por...
  • “Não me abico muito por...” – não morrer de amores por...
  • “Ah mulher, abica-te!” – joga-te, despacha-te.
  • “Ficar com os pés amarelos” ou “ficar para tia” – ficar solteira.

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