Hush-Hush

Lendas e Tradições

Ilha da Madeira, também conhecida como Pérola do Atlântico como já seria de esperar está cheia de lendas de todos os tipos.

Temos aqui algumas um pouco de todas as freguesias e concelhos da Ilha
Lenda de Arguim
No dia em que a Madeira emergiu dos mares, uma outra ilha atlântica, conhecida por Arguim, que se situava ligeiramente a Norte da primeira, submergiu.

D. Sebastião não teria perecido na batalha de Alcácer-Quibir, teria sido derrotado pelos mouros e fugira para uma ilha no oceano que seria Arguim.

Todavia, na rota para esse local lendário, ele passara pela Ilha da Madeira, tocando o cabo do Garajau. Na rocha mais saliente para o mar, espetou com todas as suas forças a sua enorme espada que aí ficou cravada e encantada. A espada do rei ali ficou a aguardar que um dia ele a retomasse para a reconquista da terra portuguesa, que em pouco tempo foi submetida aos Filipes de Castela.

Dom Sebastião passara a viver em Arguim, em castelos de ouro e marfim, guardado à porta por um leão. Este estilo de vida pacato entediava-o e este adormecia no doce regaço de ninfas e fadas.

Posto isto, há muitos anos, uma caravela ida do continente em demanda da ilha da Madeira, teve à proa a ilha de Arguim, que emergiu subitamente. A caravela, que transportava alguns jesuítas com destino ao Brasil, atracou no seu ancoradouro. Os mais afoitos saíram de bordo numa chalupa que rumou em direção à praia, e qual não foi o seu espanto quando descobriram que os calhaus da praia eram compostos de ouro puro e a areia era constituída por pedrarias e marfins. Os navegadores subiram então uma encosta onde esperavam encontrar novos deslumbramentos, quando a ilha submergiu arrastando-os para as águas do Atlântico.

No fundo do mar existia outro mundo com flores de uma beleza estranha e peixes belíssimos. Os navegadores assistiram a uma audiência da nova corte de D. Sebastião, numa cerimónia que lhes foi dedicada e com todos os detalhes das festas do paço real. Quando a recepção terminou, a ilha emergiu e todos puderam regressar à praia, com promessas de regresso.

A embarcação foi aportar na ilha da Madeira, onde os navegadores contaram aquilo que viram e anunciaram que, quando Arguim voltasse para sempre à superfície, a Madeira desceria aos abismos marinhos, desaparecendo para sempre do mapa. O dia do regresso de Arguim dar-se-ia quando o moço rei quisesse voltar a recolher a sua espada ao cabo do Garajau para guerrear os ocupantes filipinos.

Diz-se ainda que, numa outra viagem, outra caravela carregada de mantimentos oriundos de Lisboa e com destino à Madeira, atravessou uma dura tempestade perto de Arguim. Houve necessidade de lançar ao mar toda a carga quando, de repente, a nau voltou a equilibrar-se, numa surpreende quietude.

O capitão mandou observar o mar e alguns homens, que tiveram coragem de mergulhar, contaram atónitos e temerosos que haviam visto uma cidade onde as pessoas recebiam, em festa, os sacos de mantimentos que vagarosamente iam descendo da superfície. Ali seria Arguim.
Lenda de Machim

Lenda 1

Segundo a lenda, entre o final do século XIV e o início do século XV existia em Inglaterra um jovem chamado Roberto Machim, cavaleiro lendário da corte do rei Eduardo III de Inglaterra. Estava apaixonado de uma dama inglesa, Ana de Arfert (ou Ana de Harfert), que correspondia ao seu amor mas, por vontade dos seus familiares, deveria casar com um nobre.

Machim e os seus amigos engendraram um plano para resgatar a noiva antes do casamento e levá-la de barco para França que, na altura, se encontrava em guerra contra os ingleses na Guerra dos Cem Anos. A data da fuga foi acordada com a jovem para as vésperas do dia do casamento.

Ao fugir para longe da costa inglesa, os amantes foram surpreendidos por uma tempestade que os fez perder o rumo ambicionado. Sofrendo contrariedades devido à tempestade, e não tendo a bordo um piloto experiente que os voltasse a colocar no rumo certo, o casal apaixonado andou à deriva durante dias até que viram ao longe uma "grande mancha verde". Estavam em frente à ilha que, mais tarde, se denominaria ilha da Madeira.

Apesar do medo perante o desconhecido, o desespero levou-os a acercarem-se e, uma vez que a dama se encontrava doente por passar tanto tempo no mar, desembarcaram na enseada que hoje é a baía de Machico. A sua ansiedade por pisar terra firme era tanta que desembarcaram sem tomarem as devidas providências quanto à ancoragem do barco. Depois de explorarem aquele pedaço da ilha e de terem saciado a sua sede, aperceberam-se que nova tempestade se aproximava. Procuraram refúgio por entre as raízes de uma frondosa árvore que lá se encontrava, pois o diâmetro da circunferência do tronco desta era tal, que na sua base havia uma cavidade que conseguia agasalhar muitas pessoas.

Quando a tempestade acalmou, repararam que o mar revolto tinha-lhes levado o barco. A dama atormentada, cujo estado de saúde estava já debilitado, viria a falecer passados poucos dias. Machim ergueu uma enorme cruz em madeira na sepultura da sua amada, junto da frondosa árvore onde haviam encontrado abrigo. Machim foi afetado por uma enorme melancolia e, em menos de uma semana, juntou-se à sua amada na morte.

Diz-se que os restantes membros da expedição que por lá ficaram, tentaram sobreviver e gravaram na cruz a breve história dos dois amados. Alguns morreram, enquanto outros resistiram até à passagem de um barco de mouros que os resgatou e os levou para o Norte de África, para serem vendidos como escravos. Um destes teria sido resgatado pelo pagamento de libertação de cativos que, normalmente, os cristãos realizavam junto dos negociantes africanos. E foi este sobrevivente que contou a saga de Machim aos portugueses.

A lenda conta ainda que os descobridores portugueses, quando aí chegaram alguns anos depois, conseguiram descobrir a cruz de madeira e a inscrição. Edificaram então a primeira capela da ilha na cavidade da árvore, atribuindo o nome de Machico à localidade em honra dessa inscrição.


Lenda 2

Roberto Machim viveu na corte britânica durante o reinado de Eduardo III.
Foi aí que conheceu Ana d’Harfet, por quem se apaixonou e com quem pretendia casar. Os pais de Ana opuseram-se por já terem outro pretendente em vista para a filha.

Assim, Roberto Machim toma a decisão de fugir com Ana , para França. Mas quis o destino que uma tempestade se abatesse sobre o barco que os levava, deixando-o à deriva. Andaram dez dias sem destino; finalmente avistaram terra, uma ilha coberta de arvoredo que mais parecia o paraíso. Para lá se dirigiram, ancorando numa bela enseada; desceram a terra e lá se instalaram, decidindo criar ali o seu novo mundo.

Passados alguns dias, Ana d’Harfet sucumbiu a todos os sofrimentos por que tinha passado e morreu num fim de tarde.
Na manhã seguinte à morte de Ana, uma caravela que por ali passava veio encontrar Roberto Machim que, chorando sobre a campa da sua amada, acabou por morrer de desgosto.

Foi enterrado ao lado de Ana e sobre a campa de ambos ficou uma tosca cruz de madeira.
Hoje em dia, diz-se que o nome de Machico, a bonita cidade da Ilha da Madeira, deriva do nome de Roberto Machim.


Lenda 3

Na corte inglesa de Eduardo III, vivia Roberto Machim, um homem sensível e com o dom da palavra.

Tinha como melhor amigo e companheiro de armas o fidalgo D. Jorge. Este pediu a Roberto para ir com ele esperar a sua jovem e bela prima Ana de Harfet. Ao contrário do que esperava D. Jorge, Roberto e Ana apaixonaram-se. Os pais de Ana não aceitaram a união com um pretendente plebeu e ordenaram o casamento de Ana com um dos fidalgos da corte.

Decidido a lutar por Ana, Roberto foi preso por ordem do rei durante alguns dias, enquanto a cerimónia de casamento se realizava. À saída da prisão, esperava-o o seu fiel amigo D. Jorge que o informou que Ana estava a morrer de amor. Com a ajuda de D. Jorge, Ana e Roberto fugiram num barco em direcção a França.
Mas uma grande tempestade desviou a embarcação para uma ilha paradisíaca. Ana não resistiu à febre e foi enterrada na bela ilha.

Conta-se que Roberto sepultou D. Jorge no mesmo sítio de Ana e que morreu em cima da campa.
A pretensa ilha a que aportaram os dois apaixonados é a ilha da Madeira.

Lenda da sereia de Machico
Um dia um pescador viu uma sereia junto ao farol.

Eles apaixonaram-se e todos os dias a sereia vinha ter com ele à hora combinada, até que um dia, o pescador atrasou-se e alguém tirou o cabelo à sereia para que ela lhe trouxesse riqueza do fundo do mar.

A sereia trouxe todo o ouro que encontrou, mas não lhe foi devolvido o cabelo. Esta, com vergonha de aparecer ao pescador assim sem cabelo, nunca mais apareceu. Diz-se que o pescador morreu de tristeza
Lenda da Mãe de São Pedro
Conta-se que a mãe de São Pedro estava no Purgatório já há muito tempo e sempre olhava para o filho porteiro do céu com orgulho que seria a primeira a entrar no céu.

São Pedro nunca a esquecia e pedia sempre a Deus por ela. Um dia Jesus disse-lhe:
- Diz à tua mãe que “suba” e que todas as almas que puderem se agarrar a ela que venham.

A mãe de São Pedro ficou contente e começou a subir junto com todas as pessoas que se puderam agarrar a ela. Mas, a meio caminho disse:
- Eu vou que foi o meu filho que pediu, mas vocês...”
E sacudiu-se das outras almas.

Ela foi para o fundo e as outras almas foram para o Céu.
Conclusão: “A soberba nunca foi boa conselheira”.
Lenda de São Silvestre
Reza a lenda que na última noite do ano, estando a Virgem Maria debruçada dos céus sobre o oceano, São Silvestre veio-lhe falar. Nossa Senhora confiou-lhe a razão da sua tristeza: lembrava-se da bela Atlântida, afundada por Deus para castigo dos seus habitantes.

Enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e de misericórdia. São Silvestre reparou então que as suas lágrimas não eram lágrimas mas pérolas autênticas. Uma dessas lágrimas foi cair no local originário da extraordinária Atlântida, dando origem à ilha da Madeira que ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Dizem os antigos que, durante muito tempo, na noite de S. Silvestre, quando batiam as doze badaladas, surgia nos céus uma visão de luz e cores fantásticas que deixavam no ar um perfume estonteante.

Com o passar dos anos essa visão desapareceu, mas o povo arranjou forma de a manter, através do fogo-de-artifício das famosas Festas de Fim de Ano que enaltece as celebrações da Noite de S. Silvestre.
Lenda da Nossa Senhora do Monte
Conta-se que no final do século XV, a cerca de 1 quilómetro acima da igreja de Nossa Senhora do Monte, na localidade do Terreiro da Luta, uma menina brincava durante a tarde com uma pastorinha. A pastorinha ofereceu uma merenda a esta menina. A menina, muito satisfeita, contou o sucedido à sua família, que não acreditou na sua história, por ser improvável que naquela mata deserta e tão afastada da povoação aparecesse uma menina. Na tarde do outro dia, a menina voltou a brincar com a pastorinha que voltou a dar-lhe merenda, e a pastorinha contou novamente à família.

No dia seguinte, à hora indicada pela pastorinha, o seu pai foi de modo oculto observar a cena. Foi quando viu sobre uma pedra uma pequena imagem de Maria Santíssima e, à sua frente, a inocente pastorinha que se apressou a dizer-lhe que era aquela imagem a menina de quem lhe falava.

O pai, perplexo, não ousou tocar a imagem e comunicou o facto à autoridade, que mandou colocar a imagem na Capela da Encarnação, próxima da atual igreja de Nossa Senhora do Monte. Deu-se, desde então, este nome àquela veneranda imagem.
Lenda de Ladislau
Ladislau III, rei da Polónia e da Hungria, viveu no século XV. Pouco depois de ter iniciado o seu reinado, este jovem inexperiente nas artes da guerra e da política, levou o seu país à guerra com os Turcos.

Em 1444, Ladislau foi derrotado na Batalha de Varna, tendo desaparecido na mesma. O seu corpo nunca foi encontrado mas na Polónia, haviam rumores de que o rei estava vivo e não tinha morrido em Varna.

Dez anos depois da batalha, apareceu na Ilha da Madeira o misterioso Cavaleiro de Santa Catarina do Monte Sinai, tendo por nome Henrique Alemão. O capitão Gonçalves Zarco tratava-o com as devidas honras de um príncipe soberano. O cavaleiro casou com a Senhorinha Annes, senhora de uma das famílias mais nobres, tendo D. Afonso V, Rei de Portugal, sido seu padrinho de casamento.

Certo dia, um grupo de frades franciscanos polacos visitaram a ilha e reconheceram no cavaleiro de Santa Catarina o seu rei e pediram-lhe que regressasse à Pátria. Os rumores deste acontecimento propagaram-se e o rei de Portugal chamou o Cavaleiro ao Algarve para uma conversa confidencial, no entanto, ao regressar do Algarve, o Cavaleiro de Santa Catarina, Henrique Alemão/Ladislau III, viria a encontrar a morte, quando a sua barca foi alcançada por uma quebrada no sítio do Cabo Girão.

Enigmaticamente, uma superstição lembrada pelo Conde DraKul (Drácula), aliado da Polónia contra os Turcos, ajusta-se na história: uma profetisa afirmara que o Príncipe (Ladislau) “se escapara à guerra mas morrerá de morte inglória”. Por outro lado, o chefe Turco, Amurat II, nunca perdoou a traição de Ladislau ao acordo que ambos tinham assinado no final da batalha de Varna e, apesar da sua vitória absoluta, lançou-lhe uma maldição: “Que o castigo do traidor vá, se a tiver, até a sua descendência”. A verdade é que o filho e herdeiro de Henrique Alemão também morreu tragicamente no mar quando, segundo o que se conta, se encaminhava à Polónia para esclarecer algumas dúvidas acerca da linhagem da família.

A tradição popular diz que as figuras do quadro da Igreja de St.ª Maria Madalena são, na verdade, os retratos de Henrique Alemão e Senhorinha Annes, sua esposa, fundadores da mesma e, que como compradores do quadro quiseram figurar na pintura, como acontecia muitas vezes com os doadores na época.

Até hoje não se encontrou qualquer documento que prove ou negue, de forma definitiva, esta história.
Lenda da Tragédia do Cabo Girão
Vivia num lugarejo uma rapariga muito bonita e alegre que ía a todas as festas e era procurada por muitos rapazes que a pediam em casamento.
Porém, Maria (assim se chamava a rapariga) dizia que não a todos. Sua mãe, preocupada, perguntava-lhe porque recusava todos os pedidos e a filha respondia-lhe que esperava pelo homem que o seu coração escolhesse. Certo dia, numa romaria, Maria reparou num rapaz, alheio à terra, que a olhava. Sorriu-lhe e bailaram toda a tarde. Quando íam a separar-se, confessaram o seu amor um pelo outro e Maria aceitou o convite de Pedro (assim se chamava o rapaz) para casar. Marcaram a boda para depois do Natal mas, antes disso, Pedro foi chamado para a guerra. Maria acompanhou-o até ao Cabo Girão e lá fizeram juras: ele, de voltar, e ela, de esperá-lo e voltar todos os anos ao Cabo Girão para olhar o mar.
Tal como o prometido, passado um ano, Maria regressou ao Cabo Girão e foi surpreendida por um estranho que a chamou pelo nome. O homem pediu-lhe que fosse viver com ele e prometeu fazê-la feliz mas Maria disse-lhe que só seria feliz com Pedro. O homem insistiu e quis agarrá-la. Maria ameaçou atirar-se da falésia mas depois de uma luta entre os dois foi o homem quem caíu.
Nesse mesmo dia, Pedro voltou da guerra e lá se cumpriram as promessas de ambos. Embora o corpo de Maria tivesse pertencido só a Pedro, o seu pensamento jamais se afastou do homem que caíra do precipício.
Lenda da Madalena do Mar
Em Janeiro de 1450, desembarcou um homem forte, de cabelos louros e olhos azuis que depressa ganhou a confiança de João Gonçalves Zarco.

Começaram a chamá-lo Henrique alemão, mas toda a gente achava que este homem tinha um segredo. Numa das várias reuniões que tinha na casa de Zarco, Henrique alemão conheceu uma jovem algarvia chamada Senhorinha Anes, por quem se apaixonou. Entretanto, Zarco doara lhe umas terras no Cabo Girão para povoar.

Antes de partir para as suas terras, Henrique alemão casou-se com Senhorinha Anes numa igreja do Funchal. O lugar para onde foram viver passou a chamar-se Santa Maria Madalena Junto ao Mar.

Senhorinha Anes foi ganhando a confiança do servo do marido, que lhe disse que, há uns anos atrás, o seu senhor não podia casar-se com ninguém, que era tão poderoso que para ele o amor não podia existir.
Falou-lhe ainda de uma Madalena que amara o seu marido mas que desesperava por ele ter desafiado o seu irmão para uma guerra de vida ou morte e lançou-lhe uma maldição.
Entretanto, Henrique alemão ocupava o tempo a explorar as suas terras que íam crescendo.
Numa manhã, chegou um emissário da corte portuguesa para falar com ele. O emissário vinha dizer-lhe que o rei D.João II queria falar com ele porque tinham descoberto a sua origem e disse-lhe também que Madalena sabia onde ele estava.

Posto isto, Henrique alemão meteu-se num barco a caminho do Funchal onde o esperava uma caravela. A viagem parecia decorrer calmamente mas, chegados ao Cabo Girão, o mar revoltou-se e Henrique alemão pareceu ouvir uma voz que lhe dizia: «Jurei que a minha maldição cairía sobre ti onde tu estivesses. Jamais te poderei perdoar». Logo a seguir, soltou-se uma pedra do alto do Cago Girão, vindo cair sobre Henrique alemão, que desapareceu no mar.
Lenda de Colombo
Cristóvão Colombo viveu na ilha do Porto Santo durante alguns anos, onde planeou a sua viagem que o levou à Descoberta da América.

Desde há muito tempo cresceu a convicção de que nas noites luarentas, Cristóvão Colombo, vem até à praia do Porto Santo passear a sua saudade. Diz-se que pode ser encontrado vagueando sobre as areias douradas, parando de vez em quando e sombreando com a mão o olhar em direção ao horizonte. Diz-se ainda que ao nascer do sol esta figura dissipa-se no ar e só volta a poder ser vista noutra noite de luar.
Lenda dos Profetas
Habitava na ilha, no século XVI, num lugar ermo da parte nortenha, um pastor eremita e selvagem que por ter poucas relações com os restantes habitantes era conhecido por bravio ou bravo. Valendo-se do mistério que circundava a sua vida, fez-se passar por um profeta inspirado pelo Espírito Santo, que lhe guiava os passos e ditava as palavras.

Uma noite desceu ao povoado, trazendo uma campainha e alvoroçou o povo que correu de todos os lados para ver o que se passava. O Espírito Santo ocupava a alma do profeta “Fernão Nunes” mandando-o desvendar publicamente os defeitos e as culpas secretas de toda a gente. O Povo foi-se deixando levar pelo pastor, acontecendo tamanhas barbaridades.

Até que um dia três habitantes da Ilha que não acreditavam nas palavras do tal profeta, foram para Machico pedir ajuda às autoridades. O pastor foi preso juntamente com a sua sobrinha Filipa, que também estava envolvida, sendo mandados para o tribunal de El-Rei. Foram condenados a estarem à porta da Sé de Évora durante a missa de terça, com círios acesos na mão e grande letreiros onde estava escrito: “Profetas do Porto Santo”.

O povo do Porto Santo é alcunhado de “Profeta”, ainda nos dias de hoje, devido a esta situação caricata.
Lenda do Apóstolo São Pedro
São Pedro começou a ser mais venerado no Porto Santo pelos seus habitantes, especialmente pelos homens do mar, a partir do século XVI. A sua imagem, a primeira a surgir na Ilha e que ainda hoje permanece no culto dos fiéis, está envolvida numa lenda.

A lenda que envolveu a imagem, que se encontra na capela, ainda hoje é contada pelas pessoas mais velhas, passando de geração em geração.

Reza a lenda que, há muito tempo atrás, um pastor que andava a pastorear o seu gado nas proximidades do Ribeiro da Quebrada, por cima da Capela de S. Pedro. Este foi beber água a uma nascente que havia ali e encontrou a imagem de São Pedro. Foi imediatamente dar a notícia às autoridades e a imagem foi levada em procissão para a Igreja Matriz.

No entanto, a imagem como que por milagre, veio a aparecer no mesmo Ribeiro. Foi tomada a decisão de fazer a Capela no local mais abaixo da aparição, onde se encontra ainda nos dias de hoje, ficando aqui esta imagem. A Capela não foi construída no lugar exato da aparição, devido às chuvas e à erosão que ali aconteciam. A tradição diz ainda que, algumas vezes, a imagem aparecia de costas para a porta, e noutras ocasiões, de costas para o altar.
Lenda da Eliza | Lenda do Colar
É dito que uma menina de 10 anos dada pelo nome de Eliza, perdeu a sua família um ano depois do fim da Segunda Guerra Mundial, no Pico Castelo no Porto Santo.

Existem relatos de que esta criança estava amaldiçoada por um colar amaldiçoado que tinha em sua posse, e que lhe fora dado pela sua própria mãe. Há algumas pessoas que dizem que a menina, cansada de estar só, suicidou-se numa ribeira em frente de um antigo quartel que hoje em dia é uma moradia. Também há outras pessoas que dizem que a menina morreu enforcada pelo colar. O que sabemos é apenas que ninguém encontrou o seu corpo.

Reza a lenda que se alguém disser três vezes o seu nome, à noite, em frente da Ribeira ela voltará a aparecer para amaldiçoar as gentes daquela moradia e arredores.
Lenda de Santo Amaro

Há muitos anos deu-se uma grande derrocada na montanha sobraceira às águas, a ponto de ainda se verem enormes pedregulhos espalhados no mar, junto à costa. Ora, por isso mesmo esse lugar passou a chamar-se Sítio da Quebrada.

Pois reza a lenda que, uns tempos antes de se dar isto, algumas das pessoas da aldeira viram uma figura, em hábito da Ordem de S. Bento, vaguear pela montanha e, de vez em quando, com a bengalinha de vime que usava, soltar umas pedras em direção ao povoado.

Tendo esta visão sido tomada como um aviso, imediatamente a aldeira foi esvaziada de pessoas e haveres, que se refigoaram em terras do interior. E estavam todos a salvo quando se deu a tal derrocada, também chamada quebrada.

E foi quanto bastou para tal figura ser identificada como Santo Amaro, que passou a ser o padroeiro na nova aldeira, hoje Paul do Mar, freguesia do município da Calheta. E a verdade é que a 15 de janeiro o Paul do Mar tem a sua maior festa, uma romaria com pagadores de promessas a Santo Amaro protetor. Depois, reparem a imagem dele está em qualquer barco que haja um pescador do Paul por esse mundo adiante.

Lenda do Pirata Condenado
O amor também originou uma lenda na Madeira. No tempo em que a Ilha era aterrorizada por piratas, terá vivido o jovem Cambaral, o mais temido de todos os corsários. Os seus permanentes ataques à Ponta do Sol e à Ribeira Grande – a sul do arquipélago – levaram o senhor daquelas terras a capturá-lo. Após repetidos confrontos, Cambaral é encontrado à beira da morte, com sérios ferimentos.

O fidalgo leva-o então para sua casa – para que recuperasse antes de ir à forca - deixando-o aos cuidados da sua própria filha, Leonor. É então que o inesperado acontece: os dois jovens apaixonam-se. Já recuperado, e a poucos dias de ser enforcado, o pirata propõe à sua amada fugir. Na noite combinada, Leonor vai ter com ele à ponte sobre a ribeira de Ponta do Sol. Só que ... os dois são surpreendidos pelo pai, que fora avisado. Cego pela raiva que sentiu, o pai magoado corta as cabeças dos dois amantes de um só golpe.
Lenda de Cavalum

As Furnas do Cavalum, na vila de Machico da ilha da Madeira, são umas grandes grutas escavadas na rocha de basalto que o povo diz serem a moradada de um monstro.

Cavalum é um diabo em forma de um enorme cavalo com asas de morcego que deita fogo pelas narinas.
Ainda é possível, em dias de temporal, ouvir os urros e as patadas do Cavalum ecoar nas paredes da gruta. Embora haja quem diga que estes ruidos não são mais do que o eco do ribombar dos trovões, o povo afirma serem do monstro que ali foi obrigado a ficar contra a sua vontade.

Segundo a lenda, nos tempos em que o Cavalum andava à solva, foi a besta bater à porta de igreja para falar com Deus. Quando Deus lhe perguntou ao que vinha, o Cavalum disse-lhe que queria propor um desafio, o monstro tinha a intenção de destruir toda a povoação, igreja incluida, e queria ver se Deus, que já estava um bocado velho, tinha forças para o impedir.

Deus Mandou-o embora dizendo que não tinha paciência para tais brincadeiras. Mas o Cavalum que achou que tinha sido honesto em O avisar, reuniu o vento e as nuvens e juntos despertaram uma grande tempestade que se abateu terrível sobre a povoação.
Do alto do penhasco, o Cavalum relinchava de satisfação perante a aflição dos habitantes.
Mas Deus, envolvido nas suas mantas diante da lareira não mexeu um único dedo, pensando que o Cavalum depressa se cansaria da sua brincadeira. Mas a tempestade subiu de intensidade e o povo, aterrorizado, viu as casas e os campos serem arrasados.
Até o crucifixo voou pelos ares até ir parar ao mar, levado pelo vento, por indicação especial do insolente Cavalum.
Foi ai que Deus começou a ficar mesmo muito irritado e decidiu acabar com toda aquela provocação infantil. A sua primeira reacção, claro está, foi fazer com que um barco o que estava no mar achasse o crucifixo.
Depois chamou o sol que apareceu com toda a sua força, afastando as nuvens, o vento, os trovões e os relâmpagos. O céu ficou azul e a felicidade voltou ao coração dos homens. Não querendo mais ser interrompido nos seus afazeres pelas tropelias do monstro deus decidiu prender o Cavalum nas grutas, onde ainda hoje de vez em quando se ouvem os seus protestos de raiva e desespero.

Lenda do Tesouro do Capitão KIDD

William Kidd (22 de janeiro de 1645 - 23 de maio de 1701), corsário inglês, mais conhecido por Capitão Kidd. Recebeu ordens da Inglaterra para controlar a pirataria francesa na região de Madagascar.

Inicialmente era um Capitão a serviço do Rei da Inglaterra contra a França em 1689, tinha como objetivo capturar os piratas e os saques.

Quando se fez ao mar ficou um ano sem conseguir uma unica presa e foi então que se dedicou à pirataria.
Ancorou no mar Vermelho na esperança que pasasse algum navio francês ou pirata e após 3 semanas atacou um navio mercantil mouro.

Eventulamente foi capturado e foi oferecido um perdão a todos os piratas mas este perdao excluia Kidd e outros dois.

Diz a lenda que Kidd terá guardado o seu enorme tesouro numas das grutas das Ilhas Selvagens.

Lenda da Furna dos Homiziados
Na terra Chã fica a furna dos Fomiziados, reza a lenda que era o antigo esconderijo de foragidos segundo a história foi onde várias pessoas se esconderam pois eram procuradas pela lei e também para se refugiar dos ataques de pirataria dos argelinos.

Reza a lenda que numa noite de emergência, o teto desabou e sepultou todos os que lá se abrigavam
Lenda da Enseada dos Reis Magos

Diz a lenda que por este sitio apareceu de noite o diabo, em forma de caminheiro, a um clérigo, que tinha fama de possante, cometendo-o a experimentar forças e o foi levando ladeira abaixo sobre alta rocha para que lutassem.
Pressentindo o logro, se benzeu o padre e ali se deitou o demo pela penedia com grande ruído, arrastando consigo uma quebrada.

Lenda da Árvore do Diabo

Conta-se que no centro da freguesia de São Jorge, próximo de uma nascente, havia um enorme carvalho tão velho que ninguém conseguia saber ao certo qual a sua idade.
Nenhuma tempestade que assolava a freguesia conseguia abalar toda a sua imponência e resistência.
Enquanto as aves evitavam construir nela os seus ninhos, os fregueses, por seu lado, nutriam por ele certo respeito e receio.

Algumas pessoas, afirmavam a pés juntos, já terem visto pássaros sem sinal de vida junto do seu tronco e algumas luzes esquisitas a dançarem nos seus ramos, sobretudo, nas noites mais escuras. Para os fregueses, o carvalho era descendente do supremo ser maligno: o diabo.

Os mais idosos afirmavam que outrora existira uma fonte nas suas proximidades que fora, progressivamente, por ele totalmente absorvida, privando os moradores daquele tão precioso líquido.
Também se dizia que o seu tronco apresentava estranhamente uma insondável concavidade que dava passagem para os medonhos abismos subterrâneos, embora insuficientes para abalar toda a sua envergadura.
Perante tamanhas forças, acreditavam que ele ditava o oráculo relativamente à eternidade: quando alguém proferia o seu nome junto da concavidade e não obtinha resposta, isso significava que o seu nome estava escrito no céu, mas, se fosse novamente expelido, então era sinal que já fazia parte da lista dos condenados. Quando ocorria esta última possibilidade, a penitência purificadora tinha de ser redobrada.

Corre notícia que certo dia um caçador furtivo perseguia uma lebre que saltara para dentro da reentrância para escapulir-se da pontaria da caçadeira.
No desejo de apanhá-la com vida, o caçador também se enfiou pelo buraco dentro sem nunca mais dar notícias do seu paradeiro.
A passagem secreta que ligava os submundos sem fim tinha-se aberto e engolido o caçador e a lebre, que não era lebre, mas, sim, o tinhoso dissimulado.

Um dia, o carvalho carcomido pelo tempo, caiu estrondosamente para alívio de todos.

Lenda do Cedro do Diabo

Diz-se que nos jardins da Quinta dos Leais há ou havia um cedro de dimensões consideráveis.
Mas o melhor é mesmo não andar em busca do tal cedro... é que se trata do Cedro do Diabo! Ninguém se atreve a passar por ele depois das Avé-Marias.
As feiticeiras vão bailar nesse sítio assombrado e o próprio Diabo, transformado numa monstruosa criatura com asas e corpo de cabrito, vai coçar-se no tronco do cedro! De certeza que não vai querer encontrar-se com uma criatura destas!
Os portocruzenses dizem mesmo que os fogos-fátuos que de vez em quando se avistam na zona, são nada mais nada menos que os olhos do Diabo brilhando ou as bruxas tentando seduzir as almas que ainda vagueiam sem destino!

Lenda da Furna do Negro

O seguinte texto foi retirado das páginas 70-72 da 2ª edição do livro "Era uma vez... na Madeira - Lendas contos e tradições da nossa terra", da autoria do Pe. Alfredo Vieira de Freitas, publicado no Funchal em 1984: "Era uma vez... um negro que se lançou numa caverna marinha e nunca mais apareceu.

*

"Existe na freguesia do Porto da Cruz, a pouca distância do lugar chamado Ponta do Sombreiro, uma caverna sempre cheia da água salgada, que certamente deve estar em comunicação subterrânea com o mar.
Ali, a água aparece funda e também escura e encontra-se quase sempre revolta, pelo que toda a gente tem pavor de se aproximar.
Consta nos que para lá costumam atirar os animais mortos ou prestes a morrer, quando pretendem desfazer-se deles.
Entretanto, quando o mar está bravio, o local costuma ser frequentado até às proximidades, pelo inédito do espectáculo que apresenta, pois é um boqueirão escancarado de rochas negras e alcantilados, onde como em «rock-and-roll» dançam freneticamente as ondas, como se fossem nereidas, erguendo-se e descendo em formosas rendas de espuma branca.
Este local chama-se a Furna do Negro e na mesma direcção fica uma outra fuma, da forma semelhante, que serve de cais a onde geralmente o mar está calmo.
é crença naquela freguesia que uma caverna se comunica com a outra, através de um canal subterrâneo que deve passar debaixo do Pico.
De facto, quando o mar anda agitado e se está perto da Fuma do Negro, sentem-se ruídos cavernosos que parecem indicar a mútua comunicação.
A este sítio, ao qual teria dado o nome, anda ligada a lenda de um negro que, segundo diz a tradição, um dia pretendeu fazer a experiência, julgando que, em se metendo num lado, sairia no outro.
Acrobata e querendo mostrar habilidades, anunciou que iria lançar-se às águas hiantes da primeira caverna, dizendo que surgiria no outro lado do Pico, e portanto, na furna do cais.
Não quis dar ouvidos a prudentes conselhos de gente avisada.
O povo curioso e ávido de sensações correu ao local. Viu o negro atirar-se loucamente às escuras águas e desaparecer no sorvedoiro...
Imediatamente, toda a gente cheia de natural ansiedade correu pressurosa para o lado oposto. Esperou e tornou a esperar, mas contra a espectativa, o negro não aparecia na furna do cais.
Esperou-se ainda por muito tempo, mas nem vivo, nem morto surgia aquele homem imprudente, que, não tinha mais que ver, fora vítima da sua loucura.
O povo começou a debandar cheio de tristeza e profunda mágoa, levando na imaginação o no íntimo da alma os horrores da tragédia que teria encontrado aquele infeliz. Porém, diz-se que na manhã do dia seguinte, no lugar onde o negro deveria sair, apenas apareceu um barrote, todo batido e amarrotado pelo vaivém das ondas, através do suposto canal subterrâneo, o mesmo pedaço de madeira que levara consigo no dia anterior, julgando servir-lhe de tábua de salvação. O seu corpo é que nunca mais apareceu. Julgou-se então que morrera asfixiado, por falta de ar e de espaço para sobrenadar, ou atacado e devorado por algum animal marinho.
E o negro tristemente deu o nome àquele sítio e mostrou com a sua temeridade, apesar de contrárias e avisadas advertências, que na realidade há um canal subterrâneo por debaixo do Pico.
E nunca mais, desde então, houve alguém que pretendesse repetir a imprudente façanha.
Entretanto, ali, na Furna do Negro, as ondas continuam murmurantes, como quem está sempre a rezar um «Miserere» por alma dum defunto."

Lenda da Capela do Calhau
Segundo reza a lenda, um galeão naufragou nos mares do norte da Ilha e, para espanto do povo, foi avistada uma imagem de S. Vicente a boiar. Os populares levaram a imagem para uma pequena capela que existia na aldeia, onde passaram a venerá-la, mas a imagem desaparecia do altar, indo aparecer junto à rocha basáltica na foz da ribeira. Foi então que o povo decidiu construir uma eremita onde a imagem do santo ali pudesse permanecer, salvaguardando-os de assaltos de piratas ou corsários.

Sobre Nós

O Acontece Madeira é um portal dedicado à divulgação de eventos, publicidade e comunicação na Região da Ilha da Madeira e Porto Santo.

O Acontece Madeira não se responsabiliza por alterações à programação dos eventos que não nos sejam previamente comunicados.

Visite-nos

Azinhaga do Pilar 11B
9000-690 Funchal

Telefone: 291764506
Móvel: 969458999
Questões?
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Gostas da nossa energia?
Deixa aqui um café!